Algumas semanas atrás, comentei sobre a arte de suecar filmes (veja aqui), ensinada na obra Rebobine, por Favor. Quem gostou do longa-metragem terá uma ótima oportunidade para praticar com o diretor que criou o processo de suecagem. No dia 2 de dezembro, em São Paulo, no MIS (Museu da Imagem e do Som) vai ser inaugurada a exposição interativa do filme. O projeto foi criado por Michel Gondry e já passou por Nova York. É esperada a presença do diretor francês. Para os que ficaram interessados, mais informações serão acrescentadas no site www.rebobineporfavorexposição.com.br.

Caso siga o modelo nova iorquina, a exposição contará com 15 cenários, em que um grupo de pessoas poderá suecar diversas obras. Cada uma terá duas horas para praticar e ao fim terão a oportunidade de levar para casa o filme que gravarão.

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A Vida de David Gale

novembro 3, 2008

 

A primeira vez que assisti A vida de David Gale (2003) sai perplexo do cinema. Não só havia visto um filme que trazia uma questão difícil de se posicionar (a pena de morte), como também apresentava todos os aspectos de um grande filme. Na época, fiquei chocado pela forma que os acontecimentos vão se dando e pelo dramático final. As atuações de Kevin Spacey e Kate Winslet eram soberbas e a discussão em torno do longa-metragem levanta inúmeras questões que nunca tinham passado pela minha cabeça.

Foi com essa imagem que esse final de semana fui rever a obra. Precisava lembrar de detalhes do filme. Foi estranho e decepcionante. Aquele entretenimento intenso e com profundas discussões havia desaparecido. Em seu lugar, uma história piegas sobre um professor de filosofia que deseja provar como a pena de morte é falha tomou o lugar. Durante o tempo de projeção, embora seja o assunto principal e motivo da obra, não vi reflexões sobre a validade ou não desse poder único que se pode dar a um Estado: o direito de tirar legalmente a vida de alguém. A história se passa no Texas, estado americano que mais mata, chegando a ser responsável por 50% das execuções feitas nos EUA.

Decepcionado por ter perdido aquela obra que tanto gostava, fui atrás de algo que trouxesse, dentro de um programa de entretenimento, uma razoável discussão sobre a pena de morte. Encontrei um episódio de uma série de advogados chamada Justiça Sem Limites (Boston Legal). É o episódio final da primeira temporada e trata da defesa de um negro com Q.I de 80, que não sabe se cometeu o crime e foi coagido a confessar, no Texas. A atuação de Alan Shore (James Spader), o defensor do réu, é esplêndida.

Assim, para quem deseja acompanhar esse episódio, deixo alguns links em que você pode baixar o programa.

Boston Legal – 1×17 Death be not proud (Seasson finale) – Megaupload – Sendspace

 

Gênio Indomável

novembro 2, 2008

Hoje, falaremos sobre um dos mais bem realizados dramas de formação e redenção. O 20° filme da Influência Cinematográfica busca fazer um retrato dos jovens americanos. Gênio Indomável (1997) é dirigido por Gus van Sant e traz em seu elenco Matt Damon, Bem Affleck e Robbin Williams. A trama gira em torno de Will Hunting (Damon), um jovem super dotado, que possui inúmeras passagens pela polícia. Mesmo com toda essa inteligência, prefere desperdiçar seu tempo trabalhando numa construtora com seus amigos. Após se envolver em mais uma briga é obrigado por lei a fazer tratamento com terapeutas. Passa por vários profissionais até se identificar com um, provavelmente por ser tantos problemas quanto ele. Nesse ponto, começa a se delinear caminhos para que esse jovem e seu novo amigo desenvolvam soluções para ambos.

Essa obra não possui uma cena marcante o suficiente para se destacar das outras. A película é uma construção de seqüências que concluem em um final lógico e recompensador. É difícil perceber e crescer junto com os personagens, mas é isso que o filme pede. Esse sentimento de evolução de um jovem com talento é que faz o filme ser marcante. Mesmo assim, ainda destacarei uma seqüência que traz boa parte da carga dramática que o longa-metragem possui. Confira, está legendada:

Como drama de formação, a obra traz uma ótima curiosidade. Os atores Matt Damon e Ben Affleck passavam uma época difícil. Eles estavam cansados de pegarem papéis insignificantes e resolveram criar um roteiro para que pudessem atuar em algum projeto interessante. Criaram Gênio Indomável e foram bater na porta de vários estúdios. Todos queriam comprar os roteiros, mas nenhum deles concordava em colocar dois atores desconhecidos no filme. Foi quando conseguiram o ingresso do ator Robin Williams no elenco. A partir dali conseguiram um estúdio. O resultado final foram nove indicações ao Oscar. Venceram duas: Melhor Roteiro Original para Matt Damon e Ben Affleck e o Oscar de Melhor ator coadjuvante para Robin Williams.

 

Psicopata Americano

novembro 1, 2008

O primeiro elemento que chama atenção de Psicopata Americano (2000) são suas cenas de violência. Mas o filme é muito mais do que isso. Denso e cínico, a obra não perde a oportunidade de criticar uma sociedade vazia de significado e de valores. A época que a história se passa são o final dos anos 80. Um executivo de sucesso, noivo e extremamente entediado com tudo que o cerca começa, indiscriminadamente, a matar pessoas. Tudo isso para sentir algum prazer. A crítica a sociedade pode ser entendida como uma amostra do que a moderna humanidade está se tornando, no caso, em um amontoado de jovens bem cuidados exteriormente, mas que em seu interior são podres e sujos. Esse filme catapultou para o sucesso Christian Bale. O elenco ainda contava com Reese Witherspoon, Chloë Sevigny e Willen Dafoe. O curioso fica pela trilha sonora, escolhida pelo serial killer Patrick Bateman (Bale), que vai de Whitney Houston, Phil Collins e Robert Palmer.

Apenas o resumo dessa história e a forma magistral que o filme é contado já o fazem ter espaço na sessão Influência Cinematográfica. Mas a cena que faz eu me recordar desse filme é uma bem específica. Na cena, o personagem de Bale havia pagado para duas prostitutas prestarem seus serviços da forma que ele quisesse. Após começarem a ter relações ele morde uma das mulheres. A outra assustada fica sem reação. É quando ele vai até o armário e puxa uma serra elétrica e a sai perseguindo pelo apartamento. Essa seqüência termina de um modo fulminante.
Não consegui encontrar apenas essa parte separada, em compensação achei o filme dividido e legendado em várias partes no youtube. Colocarei a primeira aqui, sendo que as posteriores podem ser encontradas nos vídeos destacados ao lado. Confira:

 

O Poderoso Chefão

outubro 31, 2008

A primeira vez que assiste O Poderoso Chefão (a trilogia), deveria ter cerca de 12 anos. Por acaso, na locadora, ainda na época do VHS, não havia grandes lançamentos e por indicação de um funcionário da loja, acabei levando o filme. Sem expectativas. Sem saber o que me esperava. Foi um choque. Uma mistura de sentimentos que raramente se abatem sobre uma pessoa, a não ser que ela esteja diante de uma obra-prima. Ao menos assim me parece até hoje. Cada tomada, enquadramento, composição do ambiente, atuação, tudo transformava aquela história em mais do que um simples entretenimento. Depois de assistir às três horas de cada filme, fiquei atordoado. O único objetivo que tinha era de repetir a experiência. Passei a alugar todos os filmes que continham mafiosos, uma família criminosa italiana ou que enfocassem minimamente algum aspecto que remetesse ao clássico de Coppola. Os anos se passaram, novos filmes foram lançados, mas nunca aquela sensação foi repetida. Por isso, comecei a rever O Poderoso Chefão. Já nem saberia mais dizer quantas vezes sentei e apreciei novamente a obra.

Quando criança, o gosto pelos tiroteios, pelo poder exercido por Don Coleone, pela incrível resolução do primeiro filme eram os motivos que mais me exaltavam. Revisitar a obra me ajudou com isso. Passei a ver mais do que aquilo. Passei a perceber as mudanças que vão se afligindo sobre o caráter das pessoas. Aprendi mais sobre os personagens e com isso me senti capacitado para entender melhor o comportamento humano. Não que quando criança, eu tenha visto o filme de uma forma imatura ou errada. Mas, tornar a revê-lo trouxe uma nova leitura, uma nova sensação. E isso que alça esse filme a um nível extraordinário. A cada final de semana chuvoso, a cada dia entediante, eu me sinto bem após assisti-lo. Se há um filme que define a sessão Influência Cinematográfica é este! Imagino que este post tenha ficado pessoal demais, mas todo o sentimento de nostalgia que me traz lembrar da obra só pode ser matado de uma forma. Assistindo. Então, aproveite você também e vá atrás do longa. Para aqueles que ainda não possuem, fiquem por enquanto, com o trailer legendado:

 

Que fim levou?

outubro 31, 2008

O saudoso diretor Ed Rooney, de Curtindo a vida adoidado, foi um ator que teve seu talento reconhecido no cinema e na tv. Ao longo dos anos participou de vários filmes aclamados pela crítica e amados pelo público. Jeffrey Jones, 62 anos, atuou em: Amadeus, Os fantasmas se divertem, Advogado do Diago. Dr. Dolitle 2 e Stuart Litle. Ao todo, são mais de 50 filmes no currículo do interprete. Recentemente pode ser visto como ator regular na brilhante Deadwood, da HBO. A trama gira em torno do surgimento de uma cidade no meio oeste americano e a chegada de um novo delegado que tenta instaurar a lei no local. Na série, Jefrrey interpretava A. W. Merrick, o único jornalista da cidade. Nela, embora este não seja o foco principal, discussões éticas sobre a melhor forma de noticiar o desenvolvimento do lugar e as pressões pela publicação de fatos que contribuíssem numa melhor imagem do garimpo eram constantes.

A nota lamentável fica pela prisão do ator em 2003, por posse de pornografia infantil e por ter pagado para fazer sexo com um rapaz de 14 anos. A pena foi branda e Jeffrey precisou apenas fazer um tratamento com uma profissional para controlar seus instintos. Além de ter seu nome no rol de criminosos sexuais.

Diretor Rooney

Jeffrey Jones ou Diretor Rooney, preso por pedofilia

Réquiem para um sonho

outubro 30, 2008

Como o último filme comentado aqui, esse também traz uma música que sempre o identifica. Entretanto, ao contrário da canção do The Verve, tocada na seqüência final de Segundas Intenções, a música do gênero trance psicodélico (vertente do eletrônico) Juice, da dupla de djs Banzi e Riktam, conhecidos como GMS (Growling Mad Scients), toca constantemente em Réquiem para um sonho, atormentando tanto os espectadores como os personagens da obra. Esse longa-metragem de 2000 é o segundo dirigido por Darren Aronofsky (o anterior foi Pi e o posterior chama-se Fonte da Vida) e é uma adaptação do livro Last Exit Brooklyn, nunca traduzido para o português.

Eu poderia chamar atenção para os outros aspectos do filme, principalmente sobre a história com sua visão desesperadora sobre os vícios, sonhos e aspirações de quatro personagens. Mas isso não cairia bem aqui. Prefiro falar do título cult que a película alcançou. Isso, obviamente tem relação com o tema a ser explorado em tela. Embora, o que chama atenção, é a montagem realizada. Enquanto um filme tradicional, com cerca de 100 minutos possui de 600 a 700 cortes Réquiem para um sonho, tem mais de dois mil. Só relatei esses números para ficar clara à sensação de desconforto com o que passa na tela. Todas as angústias e sensações vívidas pelos personagens são partilhadas com o telespectador.

Bom, antes eu havia falado da música que preenche a mente juntamente com os takes que nunca se completam, sempre sendo cortados antes que cheguem a um fim. Mas, para passar um pouco da experiência, nada melhor que assistir a um vídeo e ter você mesmo a experiência. Confira:

 

Segundas Intenções

outubro 29, 2008

 

Primeiro grande beijo lésbico adolescente que eu assisti no cinema. Real, muito bonito, extremamente ousado. Esse é motivo principal que me leva a escolher esse filme para compor a sessão Influência Cinematográfica. Simples e direto. Segundas Intenções (1999) é um jogo de sedução feito para um público jovem. Com um elenco de jovens atores (relativamente) conhecidos e em ascensão, como: Sarah Michelle Gellar (Buffy), Ryan Phillippe e Reese Witherspoon (Legalmente Loira), essa obra juntava muitas das aspirações dos jovens. Riqueza, conforto, beleza e claro, sua dose de inveja, ciúme, traições e chantagens. O filme logo ficou alçado como cinema cult, embora seja muito conhecido, tudo isso pelo apelo sexual que gera em todos os públicos. Ao beijo lésbico, as cenas de incitação sexual, o longa-metragem trazia uma trilha sonora marcante. Entre todas as músicas, uma se tornou o hino do filme. Aquele som que remete imediatamente as cenas assistidas. A música encerra a obra. Confira a seqüência final, ao som de Bittersweet Symphony, do The Verve:

A sensualidade dos personagens é posta à prova a cada cena. E o resultado não poderia ser melhor. Com um custo de produção de 11 milhões, o filme não fez sucesso imediato nos cinemas, mas sim nas locadoras que adquiriu seu status de obra referenciada. Buscando ganhar mais algum dinheiro com essa obra, logo foram feitas duas improváveis seqüências, no melhor estilo caça níquel.

 

Pânico

outubro 28, 2008

Na 15° influência cinematográfica desse blog, falaremos de um filme que sozinho, basicamente, criou um novo gênero. Pânico (1996) é uma produção de terror adolescente dirigida por Wes Craven. Mas o que essa obra tem de mais? Simples. Conseguiu alavancar um gênero, o de terror, que por anos passava por um ostracismo. E isso foi feita de uma forma bem simples. Ao invés de monstros ou assassinos deformados, utilizaram aqui, alguma pessoa normal com um intenso e confuso desejo pela morte. Mas esse não é o mérito maior do longa. E sim, sua capacidade de conseguir parodiar o próprio gênero. Percebam Randy (o personagem viciado por filmes de terror) que a todo instante solta regras e convenções para descobrir quem vai sobreviver nesse tipo de obra. E vejam como no filme esses preceitos são seguidos.

Outro motivo para o sucesso da franquia Pânico fica pela capacidade de humor negro com as situações que o filme apresenta. Isso ficou marcado como característica do gênero e podemos conferir isso em Eu sei o que vocês fizeram no verão passado, Lenda Urbana e tantos outros. Ou vai dizer que você nunca assistiu um terror adolescente? É só responder. Um serial killer a solta, um bando de jovens interpretados por atores desconhecidos, o som crescente para demarcar as cenas de tensão, litros de sangue falso, alguns personagens que servem como alívio cômico (humor negro) e como cenário uma universidade, uma cidade do interior ou um colégio. Por fim, uma protagonista feminina que começa a entender que as mortes possuem como ponto final o seu assassinato. E aí, já assistiu a algum filme do gênero?

Por todo esse motivo, Pânico merece ser lembrado aqui. Para dar aquele gostinho nostálgico, colocarei aqui os minutos que introduzem a história. Atentem para Drew Barrymore, no papel de adolescente assustada. Aproveitem:

Que fim levou?

outubro 28, 2008

Cameron Frye
Cameron Frye
Alan Ruck
Alan Ruck

Ontem, falamos de Curtindo a vida adoidado. Entre os principais atrativos do filme, tínhamos Cameron Frye, vivido por Alan Ruck, como o nervoso e inconstante amigo de Ferris Buller. Mas após esse longa-metragem, que outros projetos esse ator se envolveu? O ator hoje, participa de seriados de tv norte-americanos como Greek (2007-08) e Pysch (2008). Além disso, faz papéis secundários em alguns filmes. Mas antes disso, você já pode conferir Alan em Velocidade Máxima (outro clássico Global, de 1994), Nascido para Matar (1995) e Twister (1996).

Outra pessoa que não conseguiu muito sucesso depois da produção adolescente foi Sloane Peterson, a namorada de Ferris. Após a película, o filme mais relevante de Mia Sara foi o insosso Time Cop (1994), com Van Damme. Nos últimos anos, a atriz tem atuado cada vez menos. Sua última atuação em uma produção conhecida em terras brasileiras foi um papel em um único episódio de CSY:NY, em 2005.

Mia Sara, antes e depois

Mia Sara, antes e depois