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Existem filmes que conseguem transmitir um prazer mórbido ao telespectador. No caso de Se7ven – Os sete pecados capitais (1996), obra abordada hoje, você se sente instigado a imaginar como acontecerá a próxima morte e de que forma o assassino planeja encerrar seus crimes. Esse é o tipo de obra que você fica fascinado com o vilão e, dessa forma, os investigadores possuem a mesma função de quem assiste. Pois, acontece que em nenhum momento você imagina os detetives (interpretados aqui por Brad Pitt e Morgam Freeman) evitando novos assassinatos, mas sim que eles servirão unicamente como ponte para que se possa compreender melhor a mente de um sujeito perturbado.

Para descobrir como pensa John Doe (Kevin Spacey) somos apresentados ao seu trabalho. E são essas as cenas que tornam o filme inesquecível. Pois, planejar crimes detalhadamente, cada um baseado em um pecado capital, é algo maleficamente brilhante. Entre os sete, o meu favorito é o da inveja, no fim da obra, que acaba levando ao da ira. A tensão narrativa que o filme consegue impor antes de se chegar a esse clímax é absurda. A conversa no carro entre os policiais e o criminoso enquanto vão se encaminhando para o local do último ato é sensacional e serve como exemplo de diálogos para se construir em um roteiro. Bom, acompanhem a cena que traz o último pecado capital desse ótimo filme:

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Clube da Luta

outubro 17, 2008

     
Entre você também no Clube da Luta!

Entre você também no Clube da Luta!

Incômodo. Essa é sensação que o quarto filme abordado no cine influência transmite. Clube da Luta (1999) é dirigido por David Fincher e tem no elenco Edward Norton e Brad Pitt. O filme é baseado no livro de Chuck Palahniuk, datado de 1996. Nesse momento, após rever o filme, poderia afirmar que a obra é uma crítica a sociedade consumista demonstrando isso na figura de um patético e solitário sujeito. Um homem que subverte o sistema falando que o importante não é vencer e bater, e sim apanhar, porque ao fugir da zona de conforto e segurança, o indivíduo acabaria encontrando sua “real” e sempre imaginária liberdade.

Contextualizando um pouco, a trama do longa é narrada por um executivo, que trabalha como investigador em uma companhia de seguros e tem uma confortável e, ao mesmo tempo, vazia existência. Com insônia, começa a buscar situações que lhe tragam conforto, encontrando inicialmente em grupos de auto-ajuda à solução. Com o decorrer da história, o executivo conhece um estranho sujeito, Tyler Durden, no mesmo dia que seu apartamento explode. A partir daí, vai sendo iniciado em um novo estilo de vida regado a muita luta. Tudo isso para conseguir se libertar da opressão social.

David Fincher, tenta no decorrer da obra, retornar a um assunto que já tratou em outros filmes. Busca criar um significado para a vida, isso ao mesmo instante em que a pessoas se coloca mais próximo da destruição. Esse mesmo tópico é abordado em Vidas em Jogo (The Game), projeto anterior do diretor. Nele assistimos a outro personagem entediado e solitário interpretado por Michael Douglas, que se vê envolvido num perigoso jogo de gato e rato, que ao coloca-lo em dificuldades também o traz um sentimento de estar vivendo.

Voltando a Clube da Luta, busco de forma meio desordenada lembrar da cena mais marcante que assisti na época. Existem inúmeras cenas fortes, algumas quase beirando a um sentimento de repulsa. Mas, em uma determinada seqüência, o protagonista do filme, ao pedir sua demissão começa a se bater, constituindo esse momento em algo intenso e memorável. Poderia até acrescentar que essa parece ser a primeira ação, do que na obra, se transformará no grupo terrorista que busca minar a sociedade capitalista.

Assim, continuando a apresentar vídeos com tais cenas inesquecíveis, colocarei uma refilmagem feita pelos alunos do segundo semestre de Audiovisula, da ECA/USP. Acompanhem, porque vale a pena: