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Existem filmes que conseguem transmitir um prazer mórbido ao telespectador. No caso de Se7ven – Os sete pecados capitais (1996), obra abordada hoje, você se sente instigado a imaginar como acontecerá a próxima morte e de que forma o assassino planeja encerrar seus crimes. Esse é o tipo de obra que você fica fascinado com o vilão e, dessa forma, os investigadores possuem a mesma função de quem assiste. Pois, acontece que em nenhum momento você imagina os detetives (interpretados aqui por Brad Pitt e Morgam Freeman) evitando novos assassinatos, mas sim que eles servirão unicamente como ponte para que se possa compreender melhor a mente de um sujeito perturbado.

Para descobrir como pensa John Doe (Kevin Spacey) somos apresentados ao seu trabalho. E são essas as cenas que tornam o filme inesquecível. Pois, planejar crimes detalhadamente, cada um baseado em um pecado capital, é algo maleficamente brilhante. Entre os sete, o meu favorito é o da inveja, no fim da obra, que acaba levando ao da ira. A tensão narrativa que o filme consegue impor antes de se chegar a esse clímax é absurda. A conversa no carro entre os policiais e o criminoso enquanto vão se encaminhando para o local do último ato é sensacional e serve como exemplo de diálogos para se construir em um roteiro. Bom, acompanhem a cena que traz o último pecado capital desse ótimo filme:

Os Suspeitos

novembro 6, 2008

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Quem é Keyzer Soze? Essa é a pergunta que leva ao filme que abordarei hoje na sessão Influência Cinematográfica. O mistério que envolve esse personagem, um calculista e perigoso assassino em Os Suspeitos (1995) é o que torna a obra inesquecível. Dirigido por Bryan Singer (X-Men e Super-Homem), o longa-metragem pode se encaixar na rara categoria de entretenimento que tentam enganar o espectador e conseguem realizar isso com sucesso. O roteiro inteligente, bem elaborado e conduzido é o responsável pela eficiência do filme.

Para quem nunca assistiu a essa brilhante obra, a trama começa após a morte de 27 pessoas em uma explosão em um cais. Existem duas testemunhas do crime, sendo que uma está à beira da morte e um ladrão com uma deficiência física que escapou ileso. Depois de tomar o depoimento do bandido, fica óbvia a participação de Keyzer Soze, um impiedoso e misterioso húngaro, foi quem planejou o golpe. No meio disso tudo, vários sobreviventes desapareceram e um resgate de 91 milhões é pedido. Assim, o delegado começa a pressionar o sobrevivente da destruição do cais.

Não se enganem o filme tem um ritmo devagar, passando todo através de um interrogatório. Assim, não existe um momento marcante nessa obra, porque justamente a construção do vilão é que dá intensidade para o longa-metragem. Mas para tudo isso dar certo é preciso uma grande atuação e Kevin Spacey consegue. Além desse, o filme ganhou o Oscar de melhor roteiro original. E por esse trabalho foi reconhecido pela academia levando o Oscar de melhor ator coadjuvante. Porque se existem grandes momentos são quando Roger “Verbal” Kint (personagem de Spacey) fala. A dicção do ator aliado ao modo de falar é sensacional. E próprio nome do personagem vem para reforçar isso. Já que “Verbal Kint” surge como um trocadilho para o “Rei das palavras”.

Como acredito que muitos ainda não tiveram a oportunidade de conferir esse filme, deixarei um trailer legendado. Confiram:

 

A Vida de David Gale

novembro 3, 2008

 

A primeira vez que assisti A vida de David Gale (2003) sai perplexo do cinema. Não só havia visto um filme que trazia uma questão difícil de se posicionar (a pena de morte), como também apresentava todos os aspectos de um grande filme. Na época, fiquei chocado pela forma que os acontecimentos vão se dando e pelo dramático final. As atuações de Kevin Spacey e Kate Winslet eram soberbas e a discussão em torno do longa-metragem levanta inúmeras questões que nunca tinham passado pela minha cabeça.

Foi com essa imagem que esse final de semana fui rever a obra. Precisava lembrar de detalhes do filme. Foi estranho e decepcionante. Aquele entretenimento intenso e com profundas discussões havia desaparecido. Em seu lugar, uma história piegas sobre um professor de filosofia que deseja provar como a pena de morte é falha tomou o lugar. Durante o tempo de projeção, embora seja o assunto principal e motivo da obra, não vi reflexões sobre a validade ou não desse poder único que se pode dar a um Estado: o direito de tirar legalmente a vida de alguém. A história se passa no Texas, estado americano que mais mata, chegando a ser responsável por 50% das execuções feitas nos EUA.

Decepcionado por ter perdido aquela obra que tanto gostava, fui atrás de algo que trouxesse, dentro de um programa de entretenimento, uma razoável discussão sobre a pena de morte. Encontrei um episódio de uma série de advogados chamada Justiça Sem Limites (Boston Legal). É o episódio final da primeira temporada e trata da defesa de um negro com Q.I de 80, que não sabe se cometeu o crime e foi coagido a confessar, no Texas. A atuação de Alan Shore (James Spader), o defensor do réu, é esplêndida.

Assim, para quem deseja acompanhar esse episódio, deixo alguns links em que você pode baixar o programa.

Boston Legal – 1×17 Death be not proud (Seasson finale) – Megaupload – Sendspace