Napoleão Dynamite

novembro 10, 2008

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Hoje, na Sessão Influência Cinematográfica abordarei um longa-metragem independente. Napoleão Dynamite (2004) é uma comédia nostálgica e melancólica que acompanha alguns dias da vida do nerd que dá título ao filme. Essa obra é consideravelmente recente ao contrário das outras comentadas aqui, mas merece ser citada por conseguir criar um humor que funciona basicamente sem piadas. Isso mesmo. As risadas surgem das idiotas situações em que se metem o personagem título, sua família e seu único amigo – um mexicano que deseja vencer a eleição para ser presidente de classe. E isso basta para agradar. Já que com um custo de apenas R$ 400 mil, o filme conseguiu arrecadar mais de 43 milhões nos cinemas americanos.

Entre as inúmeras cenas memoráveis, posso citar quando seu tio, um ex-jogador universitário frustrado, arremessa um enorme pedaço de bife como se fosse uma bola de futebol americano em direção a Napoleão ou quando ele convida uma guria ao baile por intermédio de uma carta e junto manda uma horrível caricatura da menina. Existem outras ótimas partes, como os créditos iniciais ou as constantes surras que Napoleão leva dos valentões do colégio, mas o destaque fica pra cena final de dança. Essa parte é uma das mais bizarras do filme e rapidamente se tornou mania nos EUA. Assista a excêntrica, hilária e contagiante dança de Napoleão.

 

A Vida de David Gale

novembro 3, 2008

 

A primeira vez que assisti A vida de David Gale (2003) sai perplexo do cinema. Não só havia visto um filme que trazia uma questão difícil de se posicionar (a pena de morte), como também apresentava todos os aspectos de um grande filme. Na época, fiquei chocado pela forma que os acontecimentos vão se dando e pelo dramático final. As atuações de Kevin Spacey e Kate Winslet eram soberbas e a discussão em torno do longa-metragem levanta inúmeras questões que nunca tinham passado pela minha cabeça.

Foi com essa imagem que esse final de semana fui rever a obra. Precisava lembrar de detalhes do filme. Foi estranho e decepcionante. Aquele entretenimento intenso e com profundas discussões havia desaparecido. Em seu lugar, uma história piegas sobre um professor de filosofia que deseja provar como a pena de morte é falha tomou o lugar. Durante o tempo de projeção, embora seja o assunto principal e motivo da obra, não vi reflexões sobre a validade ou não desse poder único que se pode dar a um Estado: o direito de tirar legalmente a vida de alguém. A história se passa no Texas, estado americano que mais mata, chegando a ser responsável por 50% das execuções feitas nos EUA.

Decepcionado por ter perdido aquela obra que tanto gostava, fui atrás de algo que trouxesse, dentro de um programa de entretenimento, uma razoável discussão sobre a pena de morte. Encontrei um episódio de uma série de advogados chamada Justiça Sem Limites (Boston Legal). É o episódio final da primeira temporada e trata da defesa de um negro com Q.I de 80, que não sabe se cometeu o crime e foi coagido a confessar, no Texas. A atuação de Alan Shore (James Spader), o defensor do réu, é esplêndida.

Assim, para quem deseja acompanhar esse episódio, deixo alguns links em que você pode baixar o programa.

Boston Legal – 1×17 Death be not proud (Seasson finale) – Megaupload – Sendspace

 

Gênio Indomável

novembro 2, 2008

Hoje, falaremos sobre um dos mais bem realizados dramas de formação e redenção. O 20° filme da Influência Cinematográfica busca fazer um retrato dos jovens americanos. Gênio Indomável (1997) é dirigido por Gus van Sant e traz em seu elenco Matt Damon, Bem Affleck e Robbin Williams. A trama gira em torno de Will Hunting (Damon), um jovem super dotado, que possui inúmeras passagens pela polícia. Mesmo com toda essa inteligência, prefere desperdiçar seu tempo trabalhando numa construtora com seus amigos. Após se envolver em mais uma briga é obrigado por lei a fazer tratamento com terapeutas. Passa por vários profissionais até se identificar com um, provavelmente por ser tantos problemas quanto ele. Nesse ponto, começa a se delinear caminhos para que esse jovem e seu novo amigo desenvolvam soluções para ambos.

Essa obra não possui uma cena marcante o suficiente para se destacar das outras. A película é uma construção de seqüências que concluem em um final lógico e recompensador. É difícil perceber e crescer junto com os personagens, mas é isso que o filme pede. Esse sentimento de evolução de um jovem com talento é que faz o filme ser marcante. Mesmo assim, ainda destacarei uma seqüência que traz boa parte da carga dramática que o longa-metragem possui. Confira, está legendada:

Como drama de formação, a obra traz uma ótima curiosidade. Os atores Matt Damon e Ben Affleck passavam uma época difícil. Eles estavam cansados de pegarem papéis insignificantes e resolveram criar um roteiro para que pudessem atuar em algum projeto interessante. Criaram Gênio Indomável e foram bater na porta de vários estúdios. Todos queriam comprar os roteiros, mas nenhum deles concordava em colocar dois atores desconhecidos no filme. Foi quando conseguiram o ingresso do ator Robin Williams no elenco. A partir dali conseguiram um estúdio. O resultado final foram nove indicações ao Oscar. Venceram duas: Melhor Roteiro Original para Matt Damon e Ben Affleck e o Oscar de Melhor ator coadjuvante para Robin Williams.

 

O Poderoso Chefão

outubro 31, 2008

A primeira vez que assiste O Poderoso Chefão (a trilogia), deveria ter cerca de 12 anos. Por acaso, na locadora, ainda na época do VHS, não havia grandes lançamentos e por indicação de um funcionário da loja, acabei levando o filme. Sem expectativas. Sem saber o que me esperava. Foi um choque. Uma mistura de sentimentos que raramente se abatem sobre uma pessoa, a não ser que ela esteja diante de uma obra-prima. Ao menos assim me parece até hoje. Cada tomada, enquadramento, composição do ambiente, atuação, tudo transformava aquela história em mais do que um simples entretenimento. Depois de assistir às três horas de cada filme, fiquei atordoado. O único objetivo que tinha era de repetir a experiência. Passei a alugar todos os filmes que continham mafiosos, uma família criminosa italiana ou que enfocassem minimamente algum aspecto que remetesse ao clássico de Coppola. Os anos se passaram, novos filmes foram lançados, mas nunca aquela sensação foi repetida. Por isso, comecei a rever O Poderoso Chefão. Já nem saberia mais dizer quantas vezes sentei e apreciei novamente a obra.

Quando criança, o gosto pelos tiroteios, pelo poder exercido por Don Coleone, pela incrível resolução do primeiro filme eram os motivos que mais me exaltavam. Revisitar a obra me ajudou com isso. Passei a ver mais do que aquilo. Passei a perceber as mudanças que vão se afligindo sobre o caráter das pessoas. Aprendi mais sobre os personagens e com isso me senti capacitado para entender melhor o comportamento humano. Não que quando criança, eu tenha visto o filme de uma forma imatura ou errada. Mas, tornar a revê-lo trouxe uma nova leitura, uma nova sensação. E isso que alça esse filme a um nível extraordinário. A cada final de semana chuvoso, a cada dia entediante, eu me sinto bem após assisti-lo. Se há um filme que define a sessão Influência Cinematográfica é este! Imagino que este post tenha ficado pessoal demais, mas todo o sentimento de nostalgia que me traz lembrar da obra só pode ser matado de uma forma. Assistindo. Então, aproveite você também e vá atrás do longa. Para aqueles que ainda não possuem, fiquem por enquanto, com o trailer legendado:

 

Segundas Intenções

outubro 29, 2008

 

Primeiro grande beijo lésbico adolescente que eu assisti no cinema. Real, muito bonito, extremamente ousado. Esse é motivo principal que me leva a escolher esse filme para compor a sessão Influência Cinematográfica. Simples e direto. Segundas Intenções (1999) é um jogo de sedução feito para um público jovem. Com um elenco de jovens atores (relativamente) conhecidos e em ascensão, como: Sarah Michelle Gellar (Buffy), Ryan Phillippe e Reese Witherspoon (Legalmente Loira), essa obra juntava muitas das aspirações dos jovens. Riqueza, conforto, beleza e claro, sua dose de inveja, ciúme, traições e chantagens. O filme logo ficou alçado como cinema cult, embora seja muito conhecido, tudo isso pelo apelo sexual que gera em todos os públicos. Ao beijo lésbico, as cenas de incitação sexual, o longa-metragem trazia uma trilha sonora marcante. Entre todas as músicas, uma se tornou o hino do filme. Aquele som que remete imediatamente as cenas assistidas. A música encerra a obra. Confira a seqüência final, ao som de Bittersweet Symphony, do The Verve:

A sensualidade dos personagens é posta à prova a cada cena. E o resultado não poderia ser melhor. Com um custo de produção de 11 milhões, o filme não fez sucesso imediato nos cinemas, mas sim nas locadoras que adquiriu seu status de obra referenciada. Buscando ganhar mais algum dinheiro com essa obra, logo foram feitas duas improváveis seqüências, no melhor estilo caça níquel.

 

Pânico

outubro 28, 2008

Na 15° influência cinematográfica desse blog, falaremos de um filme que sozinho, basicamente, criou um novo gênero. Pânico (1996) é uma produção de terror adolescente dirigida por Wes Craven. Mas o que essa obra tem de mais? Simples. Conseguiu alavancar um gênero, o de terror, que por anos passava por um ostracismo. E isso foi feita de uma forma bem simples. Ao invés de monstros ou assassinos deformados, utilizaram aqui, alguma pessoa normal com um intenso e confuso desejo pela morte. Mas esse não é o mérito maior do longa. E sim, sua capacidade de conseguir parodiar o próprio gênero. Percebam Randy (o personagem viciado por filmes de terror) que a todo instante solta regras e convenções para descobrir quem vai sobreviver nesse tipo de obra. E vejam como no filme esses preceitos são seguidos.

Outro motivo para o sucesso da franquia Pânico fica pela capacidade de humor negro com as situações que o filme apresenta. Isso ficou marcado como característica do gênero e podemos conferir isso em Eu sei o que vocês fizeram no verão passado, Lenda Urbana e tantos outros. Ou vai dizer que você nunca assistiu um terror adolescente? É só responder. Um serial killer a solta, um bando de jovens interpretados por atores desconhecidos, o som crescente para demarcar as cenas de tensão, litros de sangue falso, alguns personagens que servem como alívio cômico (humor negro) e como cenário uma universidade, uma cidade do interior ou um colégio. Por fim, uma protagonista feminina que começa a entender que as mortes possuem como ponto final o seu assassinato. E aí, já assistiu a algum filme do gênero?

Por todo esse motivo, Pânico merece ser lembrado aqui. Para dar aquele gostinho nostálgico, colocarei aqui os minutos que introduzem a história. Atentem para Drew Barrymore, no papel de adolescente assustada. Aproveitem:

Links

outubro 27, 2008

Desde o começo desse blog, venho relembrando filmes que de certo modo marcaram época ou que moldaram (em boa parte, imagino) o gosto pelo cinema. Tentando facilitar o acesso do público a esses filmes, coletei links de alguns deles na internet. Assim, alguns remeterão a outros blogs, enquanto outros irão direto para os sites que hospedam o arquivo. Caso alguém tenha dúvida sobre os procedimentos para se fazer o download ou para visualizar o arquivo do modo correto, entrem em contato pela sessão de comentários. Enquanto isso aproveitem algum dos filmes aqui mencionados.

De Volta para o Futuro – Trilogia
http://www.os-pirata.org/2007/11/de-volta-para-o-futuro-trilogia_30.html

Débi e Lóide
http://www.badongo.com/pt/vid/385381 (8 partes)
Legenda

Um sonho de Liberdade
http://www.megaupload.com/pt/?d=OVARAGAA

Forrest Gump (dublado)
http://www.megaupload.com/pt/?d=KEVBOQRW parte 1
http://www.megaupload.com/pt/?d=AI4INTIW parte 2
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http://www.megaupload.com/pt/?d=RSTL5Z4C parte 7

Cães de Aluguel
http://www.megaupload.com/pt/?d=OVXKNRKI – RMVB

Rocky – Saga completa
http://mp3filmesgratis.blogspot.com/2008/09/filmes-rocky-balboa-saga-completa.html

Curtindo a Vida Adoidado

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Donnie Darko

Parte 1/ Parte 2/ Parte 3/ Parte 4

Forrest Gump

outubro 21, 2008

Não acho que Forrest Gump seja uma obra prima como frequentemente é retratado. Acredito que seja um bom filme e nada mais. Claro que, durante minha infância, sempre me diverti com as trapalhadas do personagem interpretado por Tom Hanks (que, com essa atuação levantou sua segunda estatueta do Oscar). Entretanto, a elevação da nação americana no longa, sempre foi algo que me incomodou e que fez o longa perder a eficácia com o tempo. E é aí, mais do que nunca que o verdadeiro personagem aparece. Essa América paternalista, que utiliza seus heróis para regojizar seu ufanismo. No filme, um sujeito simpático cai de pára-quedas em uma seqüência de fatos históricos, participando e modificando cada um deles. E assim, superficialmente a trama vai se conduzindo por toda a história americana numa tentativa de auto-afirmação de seus valores que chega a beirar ao patético.

Embora, logicamente, existam inúmeras lembranças da diversão proporcionada pelas idiotas situações que o protagonista se envolvia. E isso dificilmente saí da mente. Desse modo, lhe apresento uma versão suecada do filme. Aproveite, são apenas 60 segundos:

 

Debi e Lóide

outubro 16, 2008

Chegamos hoje, ao terceiro filme que entra na categoria de influência cinematográfica. Nos dois primeiros dias abordei uma aventura com traços de ficção científica e ontem um violento filme de gangsters. É chegado o momento de apresentar uma das melhores comédias que já assisti. Falo de Debi e Lóide: dois idiotas em apuros (Dumb and Dumber). Já perdi a conta de quantas vezes vi o filme, produzido em 1994, em VHS ou na sessão da tarde. E mais, seria injusto apontar um único momento em que a história realmente despertasse minha lembrança. O que faz essa obra um jovem clássico é o fato de ao me pegar pensando nele, imediatamente começar a ruminar situações engraçadas, escrachadas, nonsenses, com uma ironia fina ou uma gag visual grosseira. Porque, com o avançar dos anos, as cenas acabam fugindo e se misturando com outras, mas o que fica é aquela sensação de risada contida, prestes a estourar que Debi e Lóide fazem brotar a cada instante.

A trama é sobre dois sujeitos muito estúpidos (Jim Carrey e Jeff Daniels), que se metem numa história de sequestro envolvendo uma mulher que os dois acham maravilhosa. E por ela, eles acabam passando pelas mais constrangedoras situações. Ou algo parecido com isso. Na verdade, pouco importa, já que os 101 minutos de entretenimento são compostos de piadas atrás de piadas. O longa é dirigido pelos irmãos Farelly.

Procuro uma cena memorável para comentar agora. Passaram mais de dez minutos que estou na frente do computador tentando lembrar de uma única cena inteira desse filme, mas não consigo. Lembro do papagaio com a cabeça atada com fita durex (antes havia sido decapitado) que foi vendido a um garoto cego, que posteriormente vira uma matéria de TV; de uma seqüência em que a dupla principal faz uma longa e fria viagem de moto aquecida pelo quente mijo de um dos personagens; pelo carro no melhor estilo TV Colosso; pela seqüência de luta em um sonho contra um cozinheiro e inúmeras outras. Em 2003, uma legítima continuação caça-níquel foi lançada com o nome de Debi e Lóide – Quando Harry conheceu Lóide. Bom, como não consigo pensar em uma única cena, deixarei aqui a última que comentei, o sonho de Lóide (está dublado):

 

A arte de suecar!

outubro 14, 2008

O Robocop suecado de Jack Black

O Robocop suecado de Jack Black

A moda ainda não decolou no Brasil, mas parece ser questão de tempo. Daqui a pouco, suecar será a arte do momento. Mas espera aí, você não sabe o que é suecar? Então, rebobina. Ao menos é desse modo que os personagens de Rebobine, por favor (Be kind rewind) acabam chegando ao processo de suecar. A última obra de Michel Gondry (responsável por Brilho eterno de uma mente sem lembranças) é na verdade, uma grande visita a clássicos da cultura pop. O filme, entre outras coisas, conta a história de dois amigos (Jack Black e Mos Def) que precisam recuperar todos os filmes da locadora em que um deles trabalha. Isso após uma série de infortúnios (que não irei revelar, mantenho a expectativa de quem for assistir a esse ótimo filme) ter apagado o conteúdo dos VHS’s. Dessa forma, sem muitas alternativas, os personagens criam uma nova técnica: a de suecar.

Suecar é recriar as histórias, reeditando-as de forma mais simples, reinterpretando as ações mais importantes dos personagens, mudando em alguns casos pequenas ações, mas em suma, fazendo tudo de um modo amador. Em Be kind rewind, os filmes suecados possuem cerca de 20 minutos e acabam virando um sucesso. Uma onda que não passa inerte no youtube. Dessa forma, podemos facilmente conferir grandes clássicos da telinha, de um modo todo especial e com aquela fascinação que só o que é caseiro traz.

Confiram logo, então, a Trilogia De Volta para o Futuro, em intensos 5 minutos e 17 segundos. Percebam o perfeccionismo das atuações, a construção exata dos cenários, a trilha sonora elétrica e ação ininterrupta.

É justo afirmar que, a idéia de fazer esse blog veio em boa parte desse filme: Rebobine, por favor. E do sentimento de nostalgia de rever alguns jovens clássicos da cultura pop suecados.